Lançamentos Pra Ficar de Olho

25 de janeiro de 2018


2018 mal se inicia e diversos lançamentos literários nos foram apresentados por diferentes grupos editoriais. As editoras estão apostando em re-publicações de clássicos do interesse popular em edições de luxo impecáveis, assim como lançamento de inéditos consagrados no exterior e, ao que parecem bons livros adolescentes também estão chegando... Listei alguns livros que me interesso fazer a leitura em 2018 e seu respectivo motivo.

 O Clube dos Jardineiros de Fumaça, Carol Bensimon


Já lançado!


Tendo outras obras publicadas anteriormente, a Riograndense Carol Bensimon, finalmente vê uma obra sua tendo o destaque merecido. Através de um dos melhores trabalhos de capa da Companhia das Letras e um título instigante, com uma sinopse também curiosa, o livro promete agradar muita gente. Farei a leitura em breve.









A Forma D'Água, Guilherme Del Toro & Daniel Kraus


Lançamento: 27/02


Um verdadeiro fenômeno cinematográfico, com 13 indicações ao Oscar, incluindo Melhor Direção para Del Toro. Se o livro escrito pelo próprio diretor em parceria com Kraus for tão bom quanto sua adaptação, então possivelmente já temos um destaque entre os livros da Intrínseca este ano. Será o livro ilustrado? Isso seria interessante...









Histórias Extraordinárias, Edgar Allan Poe


Já lançado!


Com uma nova edição do clássico absoluto do mestre do terror, a Companhia das Letras convida o leitor a entrar no assombroso e viciante mundo de Poe. Reunindo os 18 contos da obra original, essa edição em capa dura, com tradução de José Paulo Paes já se encontra na lista dos mais vendidos do ano. Ainda bem!








O Que O Sol Fez Com As Flores, Rupi Kaur


Lançamento: 26/02


Bestseller em todos os cantos em que foi publicada, a autora de ‘Outros Jeitos de Usar a Boca’ agora é trazida ao Brasil mais uma vez com ‘O Que o Sol Faz com as Flores’. Em sua nova obra Rupi continua com seus lindos poemas de superação e motivação, com uma maneira única de transferir acontecimentos do dia a dia em palavras que acalentam, apesar de dolorosas. A identificação promete ser imediata... De novo!






Todo Dia A Mesma Noite, Daniela Arbex


Já lançado!


Autora do premiado ‘Holocausto Brasileiro’, Daniela Arbex conta neste livro de não-ficcção tudo sobre uma das maiores tragédias que já assolaram nosso país. Em cerca de 190 páginas narradas por diferentes pessoas testemunhas do ocorrido, tudo o que não sabemos sobre o caso é exposto, assim como luta dos familiares e sobreviventes da tragédia por justiça. O livro é descrito pela mesma como tocante e necessário. 

Camila: O Surgimento de uma Estrela

12 de janeiro de 2018


Foi em 2017, quando Camila anunciou seu álbum solo, que todos os olhares se direcionaram para a garota. Conseguiria ela quebrar a maldição da integrante de girl band e fazer sucesso solo? Todos os ex-integrantes do One Direction conseguiram... Mas bem, eles eram infinitamente mais populares: e eram homens! Isso em uma indústria machista faz toda a diferença. Meses se passaram e o que parecia perdido após o lançamento de um duvidoso single: ' Crying In The Club', se transformou. Após Havana surgir a música quebrou recordes de gigantes, como Taylor Swift e Katy Perry, e derrubou o marco que era de Adele, com Someone Like You. Era só questão de tempo até o álbum vir à tona. Pois bem...
Somos apresentados ao trabalho dela da melhor forma possível. Never Be The Same é o tipo de faixa inteligente, diferente e sonoramente desafiadora. Tem um dos refrões mais pop's do disco, entretanto não deixa de ser bem arquitetada. É interessante como ela trabalha os vocais dessa música, colocando emoção nos momentos necessários e deixando marcado no ouvinte exatamente o que ele espera de uma canção com um conteúdo lírico tão forte como esta. Um acerto e tanto! E uma faixa com enorme potencial de hit.
Logo após, chegamos a All These Years, e gente... Que coisa mais linda. Não é nada inovadora e muito menos imprevisível. O que te ganha é a forma como a letra possibilita com que nos identifiquemos com toda a narrativa. Logo na 2° música do disco é possível perceber como Camila quis ficar perto de seu público e como todo o trabalho de marketing trabalhou  justamente para deixar as letras, arte e conceito próximos de quem a consomem. Um ótimo momento acústico!

Gostaria de mais She Loves Control no disco, porque já é a melhor música da curta carreira de Cabello! Com fortíssimas e esperadas influências latinas, o som vai contra essa onda chata de reggaeton que estamos ouvindo nas rádios ultimamente, e apresenta um diferencial que surpreende. É sensual, intensa, suave e marcada por uma interpretação digna de aplausos. Caliente Camila, caliente!
Havana, ooh na na! Estamos com este álbum em mãos graças a essa pequena pérola. Música que moldou todo o conceito artístico do que Camila acreditava ser o correto, e deu a ela uma nova chance junto à gravadora que já apresentava descrença com seu trabalho. Apesar de repetitiva, é irresistível. Um hit pronto para os ouvidos e as pistas de dança. É a mais radiofônica do registro e uma das maiores músicas de 2017.
Safadinha e clichê, Inside Out é o pior e único erro grotesco de Camila. A faixa é previsível do início ao fim. Tem uma sonoridade nada alegre aos ouvidos, apostando em uma melodia batida e liricamente péssima! Poderia fácil figurar no pavoroso álbum intitulado de sua antiga girl-band. Até fiquei esperando a participação de uma das meninas nessa música... Tsc Tsc!
Como todo álbum pop formulado, sempre uma balada no piano se faz necessária, e aqui Camila acerta em cheio. Consequences é um número emocionante e sincero de dor de cotovelo e saudades. Novamente doada de uma interpretação admirável de Cabello a música se parece com algo que ouviríamos de Adele (caso a letra fosse mais dolorosa) e em qualquer disco de Taylor Swift. Uma das minhas favoritas... EU AMO AQUELES AGUDOS!
Justin Bieber explodiu e recebeu até indicação ao GRAMMY com uma faixa good vibes acústica despretensiosa, e Camila (e sua gravadora) que não são bobos nem nada, apostaram em uma dessas pra figurarem no álbum. Continuo preferindo a de Bieber, porém Real Friends é genuinamente deliciosa. Gruda na cabeça, tem um refrão que te acaricia enquanto você toma um bom drink (haha) naquele solzão das 16:00 da tarde. Além de tudo, a letra fala daquelas amizades que só estão ao nosso lado quando tudo é lindo e maravilhoso. Quem nunca teve um falso ao lado, em? É #1 sem dúvida.


Something's Gotta Give repete o clichê da midtempo de álbum POP, mas particularmente é uma das minhas favoritas. Achei intensa! Falta espontaneidade nos discos que ouvimos atualmente, e aqui a emoção fala mais alto e ela nos presenteia com uma verdadeira 'música de choro'. Já tenho a candidata à música bad 2018, haha.
O momento mais experimental do disco chega com In The Dark, faixa produzida por Antonoff, queridinho de Taylor e Lorde. Estou tentando entender como Camila não apostou nessa sonoridade em mais momentos de seu disco. A letra é coesa, a melodia inova ao trazer batidas metradas em uma música que inicialmente se assemelharia a Real Friends. Os vocais soturnos, meio abafados... Uau! E o refrão! Faltaram refrões marcantes aqui, concordam? Adoraria mais umas duas faixas como esta antes do fim do registro...
Todavia damos adeus ao primeiro trabalho de Camila através de Into It. Durante uma entrevista a uma rádio americana ontem, ela disse que teve muita dificuldade de escolher a ordem das músicas do álbum. Vejo que a prolixidade no ato não obteve tanto resultado, pois Into It como música de encerramento não foi uma decisão sábia. É uma música clichê e sem atrativos, além de um número marjoritariamente mais POP que o resto do trabalho. Já que ela optou por não excluir a música do CD (não faria falta) eu jogaria ela no lugar de Real Friends na TRACKLSIT e deixaria a outra pro encerramento. Vai entender!


Não vamos considerar a versão editada de Never Be The Same, ok? Encher linguiça é até aceitável quando não se tem tantas boas ideias, mas fazer isso... Aff.
Em seu 1° álbum de estúdio Camila não inova. As influências latinas estão aqui. Desde a capa, ao intrumental, entretanto não povoam tanto o álbum como eu gostaria. Quando a fazem, entregam músicas incríveis, como Never Be The Same e She Loves Control. Senti que faltou mais sal no disco. Um pouco mais de alma! Senti falta dos refrões explosivos e uma ousadia mais maleável ao longo das pouquíssimas faixas. O esmero e cuidado na produção das fórmulas atrapalharam um pouco a liberdade da artista.
Não é um trabalho ruim! Passa longe. E isso, pra um primeiro trabalho feito e refeito as pressas, é um mérito e tanto. Camila passa de mediano, é um ótimo trabalho, com momentos fracos e esquecíveis. Entretanto, o que brilha aqui, é realmente ouro. Aguardo o clipe de Never Be The Same, In The Dark e She Loves Control. Não me decepcione fada cubana e bem vinda ao amargo e luxuoso mundo da música (solo). Seu ‘debut’ fará parte das minhas ‘playlists’ por um bom tempo. Já era hora de deixar esse talento brilhar como merecia.

Call Me By Your Name e o Peso do Amadurecimento

4 de janeiro de 2018

Nos primeiros minutos de Call Me By Your Name, filme do italiano Luca Guadagnino, já fica claro ao espectador a áurea que rondará a película até seu desfecho. Por intermédio dos eufemismos narrativos e delicadeza de ínfimos detalhes, é que Elio e Oliver desfrutarão sua linda história de amor. A diligência nas minúcias, como: roteiro, direção, montagem e ambientação é que difere este de qualquer filme convencional.
Membro de uma família de intelectuais, vivendo em uma região tranqüila e aconchegante da Itália, Elio é o típico jovem entediado em plena puberdade. Articulado, entretanto reservado, o mistério ronda o personagem na primeira hora de filme. Não sabemos ao certo o que esperar do furtivo garoto... Até a chegada de Oliver! 

Interpretado magnificamente bem por Armie Hammer, o sujeito charmoso e provocativo que chega à casa do garoto balança as estruturas de todos daquela casa. O filme mostra muito bem como Oliver representa uma nítida mudança na vida de todos ali. Talvez porque, justamente o reservado e mal humorado Elio sofrerá, bem ou mal, com a presença dele ali. O florescer de uma forte paixão!

A construção da intimidade do casal está diretamente ligada à liberdade e a natureza do local onde estão inseridos. O diretor não polpa minutos para explorar a belíssima ambientação do filme, e transforma o tédio em aventura. Impressionante é assistir cenas e mais cenas de personagens lendo, rindo, balbuciando coisas eruditas quaisquer e não ficar entediando vendo aquilo. Tais acontecimentos aparentemente desnecessários de nos serem apresentados fomentam logo depois o que virá após o turbilhão de sentimentos vividos pelos dois.

Armie Hammer (Oliver)
Representante oficial do filme, além de que intérprete inanimada de diversas cenas, o pêssego (sim, a fruta) está presente em grande parte das cenas mais quentes. A sensualidade carregada em símbolos conduz com maestria momentos de intimidade dos personagens e toda essa ‘libido’ marca presença nas 2h e meia de filme; Repare nos longos frames de Elio sem camisa, por exemplo.

O fatídico final desagradou muitos, todavia mostrou-se coeso e bem executado. O destaque, porém, não fica nos ombros do desfecho do casal, e sim no belo discurso do pai de Elio para o garoto. Apesar de já esperado, o diálogo entre os dois emociona pela delicadeza fruto da carga intelectual acumulada do pai. O filme trabalha muito bem a maneira como a cultura e o aprendizado nos tornam indivíduos únicos e abertos. O que é importantíssimo para todo o contexto do longa-metragem e da vida como um todo, além de abrir espaço para uma forte identificação de seu público. Jogada genial do roteiro!
"O tempo nos torna sentimentais. Talvez, no final, é por causa do tempo que sofremos "
Deixando-nos com uma música melancólica, o projeto se despede do público de forma serena. A trilha sonora integrada por lindas canções – originais – acústicas, ou não, é mais um ponto alto de Call Me By Your Name. Quem se aventurar pelos longos minutos de duração aqui, não encontrará a história mais original do mundo, muito menos lições de vida que ficarão pro resto da vida, mas sem dúvida estarão de frente com arte da melhor qualidade. Uma história contada em nuances e saturada do velho e bom amor... E como ele machuca viu!
















EU VIVO LENDO. TODOS OS DIREITOS RESERVADOS.
DESIGN E DESENVOLVIDO POR SOFISTICADO DESIGN